sábado, 20 de março de 2010

Outro arcano interessante, que em minha opinião é um dos mais complexos do Tarot, pois encerra um número muito grande de significados.

O Tarot foi criado bem antes da fundação da Igreja Católica, mas durante os séculos sofreu grande influência da mesma, tendo em vista seu grande domínio na civilização ocidental, particularmente durante a idade média.

No Tarot de Marselha, (talvez o que sofreu maior influência) vemos três figuras, sendo que a figura principal é um homem de uns 60 anos, que está sentado, de frente, com a mão direita levantada no tradicional sinal feito pelo Papa quando abençoa os fiéis. Posteriormente escreverei um artigo sobre a origem deste sinal, pois segundo alguns autores, foi originado da Cabala Judaica, assunto interessante, polêmico, mas extenso. Em sua mão esquerda existe um cetro com uma cruz de três tranceptos, também conhecida como Cruz Papal, usada na heráldica eclesiástica, possui outros nomes como Cruz Tripla ou Hierofante, outro assunto para um longo artigo. Este personagem está sentado em um trono com duas colunas atrás (Influência Maçônica ?) se veste de azul e tem uma capa vermelha com enfeites amarelos. Um detalhe importante, é que , sua mão esquerda está fechada e coberta por uma luva que tem impressa uma cruz dos templários, esta ordem de cavalaria foi a grande disseminadora do Tarot na Europa, e diversas modificações foram atribuídas a eles. Percebe-se apenas vagamente a cadeira em que o personagem central está sentado.

Trata-se de um arcano complexo, portanto, possui diversas atribuições: Pobreza, bênção, iniciação, ensino, lei, simbolismo, filosofia, religião, dever, moral, consciência, autoridade moral, sacerdócio, proteção, lealdade, observância das convenções, respeitabilidade, benevolência, generosidade indulgente, perdão, mansidão. Em seu sentido negativo, significa atrasos por burocracia e esforços dirigidos para as atividades meio e não para as atividades fim.

Segundo www.krishadar.com “ O Arcano V é uma das figuras que permitiram precisar com maior exatidão a antiguidade do Tarô, já que seus detalhes iconográficos remontam a um modelo perdido em que se inspirou necessariamente o desenho de Fautrier (Tarô de Marselha), o que é confirmado pelas diferenças e semelhanças com maços mais antigos, como os de Baldini (1436-1487) e Gringonneur (1450). Em primeiro lugar, é preciso destacar que o Pontífice do Tarô de Marselha é barbudo, enquanto seus precursores renascentistas e medievais não o são. Há estudos que estabelecem uma curiosa cronologia da moda papal neste aspecto. Torna-se assim evidente que o tarô clássico copia um modelo mais antigo que não chegou até nós, mas que assegura a continuidade evolutiva do Tarô desde os imagiers du moyen age até a atualidade. Outro detalhe interessante é o da evolução da tiara papal na iconografia do Tarô. A tiara (com seu simbolismo sobre a existência dos três reinos ou mundos) não é um elemento litúrgico que permaneceu invariável ao longo da História...”

Em caso de separação o Papa reconcilia, se ainda nao for casado o Papa oficializa uma união. Esta carta trás paz,moderaçao, actos reflectidos e bem organizados, aconselha a pensar e não ser demasiado materialista. Trás consigo o poder da fé e da meditação, e a sua mensagem é "Ajuda-te a ti próprio e o Céu ajudar-te-á.” Wikipedia

Diz O PAPA Se eu pudesse falar contigo e tu me ouvisses, te diria que preciso falar contigo sobre MAGIA. Tu sabes que o simbolismo contido em mim contém toda a magia e todas as magias e seus processos. E não estou falando do que comumente as pessoas costumam classificar como magia: Branca ou Negra. Esta classificação uns fazem pelo processo utilizado pelo mago, outros pela intenção, outros pelos rituais praticados e outros pelas forças acionadas no processo mágico. Qualquer que seja a origem da classificação dada, esta classificação é apressada e uma das formas mais comuns de se cometer erros na prática da magia. Pergunto-te: praticas ou praticastes algum dia a magia? Não! Quero que respondas novamente após terminar esta pequena conversa que estou tendo contigo sobre o que verdadeiramente eu sou.” Cigano.net.
________________

Baixe Gratuitamente meu livro"A Terra santa - Israel Uma Visão Particular" em:
http://www.ayltondoamaral.com/A_Terra_Santa_-_Israel_Uma_Visão_Particular.pdf


Aylton do Amaral www.ayltondoamaral.com

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010


Eis um arcano marcante:
O Imperador é um arcano forte, simbolizando principalmente a autoridade. Notem que os algarismos romanos estão representando o número 4 como “IIII” e não como “IV”, que é normalmente representado. Esta forma de representar números é característica do Tarot, principalmente no Tarot de Marselha.

Na maioria das representações, vemos um homem com uma coroa, de perfil, sentado (ou encostado) em um trono com as pernas cruzadas. Carrega um cetro encimado por um orbe, que são característicos do poder real. Aos pés do trono há uma imagem de uma águia, olhando para a esquerda. Um detalhe importante é o chão onde fica o trono, que parece ser um solo árido, apenas com uma pequena gramínea crescendo aos pés do homem.

A razão das pernas cruzadas é tema polêmico entre os estudiosos, uns dizem que é a posição que os antigos magistrados tomavam quando estavam em tribunais. Outros dizem que têm origem na posição de concentração dos antigos Yogues.

O Imperador significa o poder, a autoridade, a liderança, a figura paterna. Interpretando à luz da Cabala, também significa o tetragrammaton Yod – He – Vav– He, o quaternário, a pedra cúbica ou sua base, que é o trabalho do aprendiz pedreiro. Na Astrologia representa uma conjunção saturno-marte, que é o poder sendo exercido pela força.

Alguns Tarólogos interpretam no sentido positivo, os bens, o poder terreno, contratos assinados, acordos. No sentido negativo: Queda financeira, perda de bens, perda de autoridade, sofrimento de oposição, aparecimento de adversário poderoso.

Esta carta aparece para pessoas líderes naturais e também para pessoas que têm problemas com autoridade, pessoas rebeldes têm esta carta aparecendo de forma negativa ou positiva e até as duas coisas. Todos temos de alguma forma o imperador, sejamos nós lideres ou seguidores.
Muitas pessoas o associam com Osíris e as Ordens Guardiãs do Santo Graal.

Imperador pressupõe liderança e devemos ter discernimento para distinguir um líder de um “chefe”. O líder tem diversas características marcantes, dentre elas a humildade e o desejo de servir, o que difere do chefe que manda por mandar e utiliza o orgulho e a prepotência para exercer sua autoridade. O Imperador não é o “Cagonauta” (Vide artigo do Luciano Pires).

Um exemplo bastante interessante são os nossos políticos, que de Imperador não têm nada, estão mais para outros arcanos que mencionarei mais adiante em outros artigos. Existem muitos líderes, que podemos associar com o Imperador, dentre eles, Franklin Roosevelt, Nelson Mandela, Antonio Ermírio de Moraes, Mahatma Ghandi, Jesus Cristo e outros grandes exemplos.
Este arcano nos permite sermos agressivos (no bom sentido), corajosos, ousados. Nos indica que devemos conquistar a liderança. Em situações onde existe o caos este arcano nos aconselha pararmos, pensarmos e atuarmos de forma a organizar e tomar o controle.
Baixe Gratuitamente meu livro"A Terra santa - Israel Uma Visão Particular" em:http://www.ayltondoamaral.com/A_Terra_Santa_-_Israel_Uma_Visão_Particular.pdf Aylton do Amaral www.ayltondoamaral.com

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Papisa (ou A Sacerdotisa)

Continuando com a série sobre os arcanos do Tarot, neste artigo, falarei da Papisa, o Arcano da Sabedoria, da Gnose e do Princípio Receptivo.


Analisando a lâmina, vemos uma mulher que está sentada e está com um livro aberto no seu colo, e uma tríplice coroa, parecida com a tríplice coroa usadas pelos Papas, durante sua coroação. Hoje em dia esta coroa não é mais usada, pelo menos pelos últimos 3 Papas, em uma tentativa de diminuir a ostentação da igreja. A personagem está olhando para o lado esquerdo, e veste uma túnica vermelha sob um manto azul e verde. Sobre seu ombros há um véu. Ao fundo vemos uma cortina. Uma coisa que os Tarólogos comentam muito é que esta figura ultrapassa a margem superior da lâmina. Esta característica só será encontrada no arcano XXI – O Mundo.


Existe uma lenda sobre este arcano, que fala da Papisa Joana, a única mulher que assumiu a posição de Papa da Igreja Católica.

Segundo a Wikipedia: “A Papisa Joana teria sido a única mulher a governar a Igreja durante dois ou três anos, segundo uma lenda que circulou na Europa por vários séculos. A papisa Joana é considerada pela maioria dos historiadores modernos e estudiosos religiosos como fictícia, possivelmente originada em uma sátira anti-papal.”


Segundo René Guénon in Symboles Fondamentaux de la Science Sacrée, ela ficou grávida e ocultou a gravidez debaixo da vestes papais, no entanto, durante uma procissão, deu a luz, provocando a ira da população. Com a dramática descoberta do embuste, o enfurecido séquito papal teria assassinado Joana e seu filho. Antigas tradições romanas asseguram que, no lugar do homicídio, permaneceu durante séculos um túmulo ornado por seis letras P, que podiam ser lidas de três maneiras diferentes (jogando com a inicial comum a Papa, Pedro, pai e parto). Ainda com relação a essa lenda, deve-se assinalar um fato notável: na célebre Bíblia ilustrada alemã do ano de 1533, a grande prostituta do Apocalipse está representada com uma tiara na cabeça, A tradição afirma que foi desenhada deste modo por desejo expresso e sugestão de Martinho Lutero.


Existe, na história do Egito, uma mulher que se tornou Faraó, seu nome era Hatshepsut, que era retratada como homem, inclusive ostentando um cavanhaque cerimonial, indicativo da figura de um Faraó, assunto para outro artigo.


O Significado místico desta lâmina é bem complexo, A leitura da Papisa significa Sabedoria, Gnose, A Igreja Oculto, Reflexão, a Cabala, o Principio Feminino, Intuição, Piedade, Paciência e para os Astrólogos, a influência passiva de Saturno. Alguns tarólogos a interpretam como Reserva, discrição, silêncio, meditação, fé, confiança atenta. Paciência, sentimento religioso, resignação. Favorável às coisas ocultas. A Papisa é o principio feminino, mantido reprimido pelas religiões ocidentais e transformado em leis e costumes até o século passado, e que hoje está sendo liberado de forma lenta mas contínua. Não interpreto como sendo o feminismo radical que temos hoje, mas um equilíbrio com o princípio masculino como duas forças que se complementam sem que uma ou outra prevaleça como dominante.
________________
Baixe Gratuitamente meu livro”A Terra santa - Israel Uma Visão Particular” em:http://www.ayltondoamaral.com/A_Terra_Santa_-_Israel_Uma_Visão_Particular.pdf

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A Bíblia do Diabo


Peço licença a todos para interromper minha série sobre o Tarot, terminei minha pesquisa sobre mais um livro misterioso e gostaria de compartilhar um resumo com vocês. Muitos me perguntam se não tenho mais nada a fazer a não ser escarafunchar velharias. Respondo que sim, é a melhor coisa do mundo a se fazer, principalmente pela aura de mistério que cada um deles nos traz.
O livro em pauta, mede quase 1 metro de comprimento, pesa uns 90 quilos e tem mais de 600 páginas em pergaminho (pele de asno), capa e contracapa, de madeira, forradas com couro curtido e enfeitadas com cantoneiras de latão com entalhes. Atualmente está exposto na National Library, em Estocolmo.
Seu nome oficial é “Código Giga”. Segundo alguns, foi feito em um mosteiro da Boêmia a partir do século XIII. Chegaram até a querer declará-lo como uma das maravilhas do mundo. Felizmente desistiram.
A razão da existência deste livro dá origem a várias lendas. A mais conhecida delas é de que o livro teria sido escrito por um monge, que como punição aos seus pecados, iria ser emparedado e deixado ali até a morte. No desespero, ele fez um acordo com os superiores do mosteiro, prometendo escrever um livro em um período de uma noite. No entanto, percebendo que não iria conseguir, fez um pacto com o diabo, sendo atendido e se livrado da cruel pena, razão pela qual, várias pessoas consideram o seu texto amaldiçoado. É uma relíquia raríssima, estimam que vale em torno de 15 milhões de Euros.
Tem que ser alguém corajoso para adquiri-lo, pois o Codex Giga tem fama de atrair má sorte para quem o possui, provocando infortúnio e morte. Existem várias lendas narrando o destino de alguns proprietários.
Outro fato intriga os estudiosos: faltam sete páginas no volume; páginas que, dizem, continham um segredo muito antigo.
Sua página mais famosa, contém um grande desenho de um diabo, razão de seu nome mais conhecido. A imagem é precedida por uma conjuração por meio do qual é possível comunicar-se com espíritos, entidades demoníacas e um encantamento para comandar essas criaturas.
Como o leitor pode notar na figura, não é tão assustador assim. Hoje em dia, os diabos são infinitamente piores, mais organizados, são certificados e seguem padrões ISO, Itil, Six Sigma, SOx e outras sopas de letrinhas. No entanto, se nos situarmos na idade média, onde a igreja detinha o poder das mentes e dos corações do mundo ocidental, este desenho tinha muito significado e tirava o sono de muita gente.
Escrito em latim, o Livro Gigante contém uma versão do Antigo e do Novo Testamentos e não constam os Atos Apostólos e o Apocalipse. Depois da Bíblia, vem uma transcrição da Etymologiae enciclopédia de Isidore de Seville, que consiste em um resumo do conhecimento das ciências da época, incluindo a idéia da esfericidade da Terra, o que, para muitos o tornou realmente demoníaco.
Também estão no Livro: uma cópia de Antiquities of The Jews "Antiguidades Judaicas" e Jewish Wars [Guerras Judaicas], do escritor Flavio Josefo, que viveu nos anos 90 d.C. e narrou diversas passagens importantes do cristianismo e judaísmo. Possui também, uma versão dos Hebrew Books [escrituras hebraicas]; uma cópia de Chronicle of Bohemia de Cosmas de Pragye [1045-1125], padre boêmio.
Baixe Gratuitamente meu livro"A Terra santa - Israel Uma Visão Particular" em:http://www.ayltondoamaral.com/A_Terra_Santa_-_Israel_Uma_Visão_Particular.pdf





domingo, 29 de novembro de 2009

O Mago


O primeiro arcano do tarot é o Mago. Muitos especialistas dizem que o mago é o “dono” do Tarot, por isto recomendam guardar as cartas sempre com O Mago sendo a primeira carta, em cima. É representado por um garoto, talvez adolescente. Tendo em vista que terá um longo caminho a percorrer, está refletindo, como iniciará a jornada. Na maioria das representações, está em frente a uma mesa, e sobre sua cabeça está um chapéu estilizado, que muitos dizem que é o símbolo do infinito. Em algumas representações, existe, ao invés de um chapéu, o próprio símbolo do infinito, que representa as inúmeras possibilidades e oportunidades que tem à sua frente. Como cada carta tem uma letra hebraica correspondente, o mago têm a letra Aleph.

Na cabala, Esta letra foi retirada do simbolismo do "boi" e o seu desenho parece uma cabeça de boi com chifres, (estilizado, claro). Esta letra não tem som.

Segundo a Academia de Cabala: “O alfabeto hebraico é o único a começar por um silêncio, Aleph é a representação do equilíbrio perfeito. Mesmo que o Aleph seja audível, o Sêfer Bahir diz que "a orelha é feita à imagem do Aleph, ele é o essencial dos dez comandos". Esta letra significa os mundos de antes e de após a criação, as palavras unidade (Echad) e amor (Ahavá) começam pela letra Aleph, que representa a permanência da unicidade. A tradução da palavra "eu" em hebraico é "ani", já "você" – ou seja, o outro – é "atá". Ambas as palavras se iniciam com a letra Aleph quando escritas em hebraico. Isso quer dizer que você e eu somos um, ligados à mesma origem, se bem que diferentes no aspecto. Aleph é o ponto de partida de tudo."

Em algumas representações, como no Tarot de Oswald Wirth, a letra aparece na carta, mas na representação acima, do Tarot de Marselha, normalmente não aparece.

Na mesa à sua frente, podemos ver alguns objetos, que representam nossas escolhas no nosso dia a dia, dos quais podemos destacar:

Um copo: Representa as emoções, o amor, o ódio, etc.
Um punhal: Representa a luta e nossa vontade de conquistar, a energia sexual.
As Moedas: O nosso lado material.
Os dados: Representam o imponderável, aquilo que não podemos controlar.
Em algumas representações há um pergaminho com a imagem de um pentagrama que representa nossa inteligência.

Está pedindo ajuda do alto para ajudá-lo na caminhada que se inicia, por isto está levantando um bastão, que representa a vontade e a sabedoria, captando energia superior e encaminhando-a para baixo, com a outra mão.

Costumamos ver muito esta posição durante a dança dos Dervixes. Os Dervixes são monges muçulmanos, que normalmente vivem de forma nômade e de abnegação, inclusive jurando votos de pobreza, castidade e humildade. Eles costumam se reunir em rituais de dança chamadas Sema ou Samá, que fazem parte da tradição Sufi (mais informações leiam “O Profeta” de Khalil Gibran). Só quem já viu, como eu, pode descrever o quão sagrado é este ritual. Os dervixes entram em transe e executam danças giratórias durante horas, sem aparentar nenhuma tontura, com uma das mãos para cima e outra para baixo, fazendo o mesmo papel do Mago do Tarot. Recomenda que vejam este espetáculo que, para eles simboliza a conquista do equilíbrio mental, vitória sobre nossas vaidades, e uma comunhão sem igual com o nosso planeta e a natureza, consequentemente encontrando o auto-conhecimento. Infelizmente estão abrindo demais a visita de turistas para estes rituais, o que, em minha opinião, com o tempo pode virar uma pantomima para agradar turistas..



Os jogadores de Tarot dizem que, quando aparece O mago, é extremamente difícil interpretá-lo, na maioria das vezes interpretam que o consulente está em uma fase inicial de um caminho que precisa escolher como irá realizar esta caminhada. Normalmente um consulente quando vai a uma consulta de Tarot (as vezes paga caro por isto) quer uma definição, quer respostas imediatas, trazendo dificuldades ao jogador de Tarot. Normalmente o jogador compõe com as outras cartas já tiradas para atender ao consulente.

Infelizmente a grande maioria das pessoas interpretam o Tarot como sendo um jogo divinatório, distorcendo as mensagens que cada arcano traz.

Baixe Gratuitamente meu livro"A Terra santa - Israel Uma Visão Particular" em: http://www.ayltondoamaral.com/A_Terra_Santa_-_Israel_Uma_Visão_Particular.pdf

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O louco


Dizem que sou louco.
Por pensar assim.
Se sou muito louco.
Por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz!
E não é feliz!
Não é feliz.............
Assim dizia Rita Lee em sua “Balada do Louco”.

O que é loucura ?
Sou eu o louco, ou o resto é que é louco?

Esta é a principal pergunta que este arcano faz quando aparece em nossos jogos. Já começa pela sua principal diferença: nos outros arcanos há um número na parte superior, mas não no louco. Louco é diferente. Muitos procuram atribuir-lhe o valor 0 ou 22 em mais uma tentativa de racionalizar a loucura.

Vamos tentar ler a figura acima, representada no Tarot de marselha. Vemos uma pessoa, um homem que caminha com um bastão na mão direita. A posição dele é uma proeza de contorsionismo, pois está de costas, mas seu rosto, bem visível, aparece meio que de esguelha, com uma pálida face, e uma barba um pouco embaçada. Em cima do ombro direito leva uma vara como uma pequena trouxa, que dá idéia de que está se mudando, ou andando sem rumo, ou também uma idéia de largar tudo para trás e sumir. Coisa que muita gente quando está de saco cheio com as coisas fica “louca” para fazer.

Ele, o louco, está vestido como um bobo da corte medieval. O interessante é que sua calça está rasgada por um animal meio indescritível, parece um cachorro, mas muita gente atribui outro animal. Caminha sobre um solo cheio de altos e baixos de onde nascem cinco plantinhas. A cabeça está coberta por um gorro meio esquisito, que desce até a nuca e lhe cobre as orelhas; esta estranha touca se confunde com o seu cabelo. Veste uma jaqueta, presa por um cinto amarelo; seus pés estão cobertos por calçados vermelhos.

Não existe um consenso entre os que se dizem entendidos e os que jogam o Tarot, os significados são os mais diversos. Vou fazer um resumo em uma palavra só. Representa o libertador “foda-se”.

Se eu pudesse criar meu próprio Tarot, eu o representaria por uma figura folclórica lá da Petrópolis dos anos 60, onde nasci e cresci. Havia um personagem folclórico, um senhor de idade já avançada, que vivia perambulando pelas ruas da cidade. As crianças quando o avistavam gritavam:

- O INSS vai acabar !!!!!!!!

Era ouvir a frase, e o senhor calmo e afável se transformava, começava a gritar impropérios, xingando e ameaçando todas as pessoas que passavam, com uma ira tal, que por diversas vezes pensava-se que ia enfartar. Após um determinado tempo, instantaneamente ele esquecia tudo e voltava a ser o senhor afável que sempre foi, mas bastava alguém gritar a frase novamente e começavam os xingamentos e o senhor metamorfoseava-se como se fosse um Hulk da vida real. Tentei por diversas vezes conhecer a história deste personagem, mas as estórias eram tantas, com tantas versões que não vi credibilidade em nenhuma delas. Mudei de cidade, e nunca mais ouvi falar do “velho do INSS”.

Outra figura interessante era o Bem-te-vi. Também era um senhor circunspecto, que ao ouvir pessoas assobiando imitando a ave, modificava totalmente e ficava vociferando palavrões por um momento, e depois voltava a ser o senhor circunspecto de antes.

Existia o “Fecha a porta” era um senhor que vivia conduzindo umas charretes de aluguel, que ficavam em frente ao Museu Imperial para levar turistas a um passeio pela cidade. Não sei por que motivo, mas quando passava pelo meu bairro a garotada gritava:

“Fecha a porta Capivara”!!!

E o senhor saia dando chicotadas para todos os lados tentando atingir a molecada, que não tinha nada para fazer.

Todos nós temos algumas chaves que disparam certos processos, sejam eles os famosos calos, ou outros fatores, tais como a famosa “Gota D´agua”. Newton Bonder, em seu livro, a Cabala da Comida, do Dinheiro e da Inveja, nos diz que o ser humano se faz conhecer por três fatores, pelo bolso, pelo copo e pela ira. Através destes três fatores o ser humano por mais que tente esconder, acaba mostrando o seu verdadeiro lado, quando bebe, quando fica com raiva, quando fica rico, ou detém algum poder.

Cuidado pessoal, não se pode confundir: Louco não é bobo nem é burro.
Os loucos são felizes, não há nada mais feliz do que a insanidade, mas isto é papo cabeça para uma mesa de bar, depois da segunda garrafa de vinho. Adoro isto.

Cada um com a sua loucura.
Baixe Gratuitamente meu livro"A Terra santa - Israel Uma Visão Particular" em:http://www.ayltondoamaral.com/A_Terra_Santa_-_Israel_Uma_Visão_Particular.pdf

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

1 - As Origens do tarot.

Começarei aqui, uma série de artigos onde procurarei explicar as origens do Tarot, que, além de jogo de adivinhação, está intrinsecamente ligado ao nosso jogo do baralho atual.

As origens do Tarot também são envoltas no mais brumoso mistério. Existem diversos autores com diversas teorias, mas nunca algo palpável cientificamente, infelizmente.

Um grande irmão, ao qual tenho muito apreço e respeito muito suas idéias, diz que quase tudo que conhecemos originou-se do Egito, para ele a Maçonaria e todas as ordens iniciáticas que conhecemos tem sua origem, ou inspirou-se nesta grande civilização, assim como o Tarot. Ele afirma categoricamente que o Tarot original tinha sido escrito em folhas de ouro num templo em Mênphis.

No entanto existem diversos teóricos que dão como origem a China e a Índia e que as cartas foram trazidas pelos ciganos para a Europa, está aí um grande assunto para pessoas, que como eu, gostam de estudar o oculto.Segundo este mesmo irmão (o que diz que tudo vem do Egito); o nome “Gipsy” dado aos ciganos por algumas línguas, é uma corruptela de “Egipcio”, pois segundo ele, os ciganos também são originários do Egito, mas isto é assunto que fica para outra oportunidade.

Os grandes divulgadores do Tarot na Europa, foram os Cruzados, mais específicamente, os Cavaleiros Templários, que baseado em seus estudos, tinham grande conhecimento do significado hermético das figuras, e que as utilizavam como ferramenta de auto-conhecimento. Um grande estudioso Templário afirmava que os símbolos do Tarot eram a chave do conhecimento que foi perdido durante os incêndios e saques da Biblioteca de Alexandria.

Nas cartas do Tarot existem símbolos que, representam segredos da chave da natureza humana e que influenciaram, ou sofreram influencia das religiões gregas, filosofias árabes, Indianas, e até mesmo a Cabala Judaica.

Existem diversas versões, dentre as quais posso destacar, o Tarot de Oswald Wirth, o próprio Aleister Crowley, o Tarô Cigano, e milhares (sim amigos, milhares) de outras versões espalhadas por aí, por aqueles que se intitulam os “Gurus” do momento. Pessoalmente, como fonte de estudo, gosto do Tarot de Marselha Original, e de Oswald Wirth, que além de relacionamento com a Cabala, possuem os desenhos parecidos na medida do possível com os originais.

O Tarot de Marselha surgiu no final do século XVI, obtendo muito sucesso, especialmente aqueles que eram pintados a por grandes artistas. Estes jogos eram de propriedade das famílias mais ilustres da Europa, principalmente na Itália, berço dos grandes incentivadores da arte como os Sforza, os Bórgia, e vários outros. Esta versão de Tarot, teve uma grande influência sobre muitos jogos que surgiram nos finais do séc. XVIII e início do séc. XIX, época especialmente apaixonada pelo oculto na qual se deu um grande incremento.

Segundo Maria Helena Martins, “o Tarot adquiriu uma forma mais manuseável e mais sólida quando B.P. GRIMAUD lhe fez algumas alterações, sem alterar as suas qualidades intrínsecas. Os cantos tornaram-se mais redondos e as cores mais vivas passando a haver um claro predomínio do AZUL e do VERMELHO. Paul MARTEAU, o grande mestre das cartas em França, traduziu em 1930, com grande rigor, toda a simbologia do TAROT de MARSELHA e fixou as tonalidades definitivas das cores que permanecem até hoje.”

Sobre as cartas de jogar, autores afirmam que tiveram inicio através do Tarot dos Sarracenos que migravam para a Espanha, e lá, passaram a se chamar “Naib”, que posteriormente se transformou em “Naipe”, como conhecemos hoje, embora outros digam que tenha surgido da palavra Flamenga “Knaep” que significava “papel”. Existem também, outros vestígios de que o seu uso como carta de jogar, também difundiu-se na França.O Tarot, basicamente é Dividido em duas seções, as 22 cartas dos arcanos maiores, que segundo aquele meu irmão, representam os líderes temporais e espirituais do Egito antigo. As outras cinqüenta, que são os arcanos menores, divididos em 4 naipes, representam as quatro classes da sociedade do Egito Antigo, que ficavam assim representadas.

Espadas: Classe guerreira;
Copas: A Classe sacerdotal;Paus:
Os Agricultores;
Ouros: Os Comerciantes.

Dizem também que jogo de xadrez contribuiu fortemente para que o Tarot, de cartas divinatórias se transformassem no baralho que conhecemos hoje, se não levarmos em conta a torre e o cavalo. Se olharmos para as cartas veremos que, com exceção das torres, há o Rei a Rainha, dois Valetes e os números de cartas equivalentes ao dos peões. Acredita-se que o uso das quatro cores, assim como de Moedas, Taças, Espadas e Paus tenha surgido no século XIV, pelo costume da época de se jogar xadrez a quatro pessoas.No Museu de Paris, encontra-se o jogo de cartas mais antigo que se conhece, que foi utilizado por Carlos VI de França. Pensa-se que tenha sido encomendado a Jacques Gringonneur que era astrólogo e cabalista.

Durante muito tempo pensava-se que pertenciam a este baralho dezessete cartas pintadas sobre velino debruadas a ouro e pintadas a prata, lápis – lazúli e com um pigmento vermelho escuro denominado como (pó de múmia). Atualmente, acredita-se que são italianas e de manufactura mais tardia.Um dos mais belos jogos de cartas pertenceu a Duce Filippo Maria Viscont e data de 1392, pelo qual pagou mil e quinhentos florins de ouro ao seu secretário, o sábio e pintor Marziano da Tortona.

Existem ainda hoje sessenta e sete cartas originais deste jogo muito antigo.Com o passar do tempo, a apresentação dos emblemas e dos desenhos das cartas alterou-se. Desde que se começou a jogar, o baralho foi composto por vinte e duas cartas, e quatro séries de cores, cada uma delas contendo quatorze cartas.

Na minha humilde opinião, o Tarot não passa de uma grande quantidade de símbolos herméticos, que de alguma forma, se coadunam com a psicologia humana, principalmente se estudarmos Jung e a Cabala. Se olharmos para as imagens do Tarot e conhecermos cada um dos seus arcanos, podemos ver nitidamente as mais diversas nuances do que Jung afirma como sendo nossos arquétipos. Se olharmos pelo ponto de vista histórico, poderemos desvendar muitos dos aspectos ocultos da humanidade, e mensagens que os antigos nos deixaram. Quanto a seu poder divinatório, sinto muito, não creio.

O que creio é que, segundo Jung, o Inconsciente coletivo trabalha sempre para nos levar à algum destino, que talvez possa até ser avisado nos arcanos como tendências, assunto complexo, que fica para outro artigo.

De qualquer forma, o Tarot não tem o poder de influenciar os acontecimentos.Somos inteiramente responsáveis pelas nossas decisões, nunca devemos esquecer de que toda a ação leva a uma reação.

Nos próximos artigos, falarei de cada um dos arcanos, começando com “O Louco”.

Baixe Gratuitamente meu livro "A Terra santa - Israel Uma VIsão Particular"em:

http://www.ayltondoamaral.com/A_Terra_Santa_-_Israel_Uma_Visão_Particular.pdf

Brevemente: "O Enigma de Sagres"

Aylton do Amaral
http://www.ayltondoamaral.com/